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Reboredo, José Rodrigues (1891-1952) | Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA

Nome: Reboredo, José Rodrigues (1891-1952)
Nome Completo: José Rodrigues Reboredo


História da Família: Nascido em Barcelos, no ano de 1891, José Rodrigues Reboredo faleceu no Porto em 17 de Junho de 1952. Ao contrário de alguns jovens de sua idade pôde frequentar a escola primária e chegou até ao liceu, não podendo terminá-lo. Por morte de seu pai foi trabalhar como confeiteiro numa casa do ramo, em Viana do Castelo. Pouco depois casava-se com uma sobrinha de um dos seus patrões, e acabou anos depois vindo residir no Porto. Desde então passou a trabalhar e a estudar sôzinho, conseguindo aprender as línguas francesa, inglesa, alemã e castelhana. Mas o seu aprendizado não se circunscrevia à profissão de confeiteiro de que chegou a ser um mestre exímio, nem aos idiomas que o ajudavam a entender receitas estrangeiras, devotou-se também ao sindicalismo e depois ao anar¬quismo, em cuja filosofia também foi mestre. Primeiro ingressou no sindicato da classe e depois no grupo anarquista editor de A Aurora, A Comuna e A Vanguarda Operária, todos do Porto, tendo desem¬penhado ali funções de administrador e de redactor. Todavia, em 1932, no 6.° ano da ditadura de Carmona e Salazar, os agentes da polícia política resolveram persegui-lo, assaltando a oficina onde trabalhava Reboredo na intenção de prendê-lo. Mas graças à ajuda de companheiros con¬seguiu escapar e refugiou-se na província. Mas o lugar era pequeno demais para a grandeza das suas ideias libertárias e da sua bondade. Em pouco tempo chama a atenção para a sua conduta, é denun¬ciado por agentes locais, a P.I.D.E. parte no seu encalço e ele passa clandes¬tinamente a fronteira espanhola chegando à Galiza, depois a Madrid, e fixa-se por fim em Barcelona. Livre dos esbirros salazaristas caminha ao encontro de outros exilados portu¬gueses e principia uma luta extraordinária em quatro frentés de trabalho: filia-se na C.N.T., ondç colabora; forma um grupo com outros anarquistas portugueses e dá vida à Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados (F.A.P.E.); inicia a publicação do jornal Rebelião, em Espanha, e começa a fazer doces em casa para vender nas ruas, graças aos quais consegue sustentar companheiros desempre¬gados, como bem nos conta Correia Pires nas suas memórias. Surpreendido em Barcelona pela Guerra Civil 1936-1939, foram-lhe confiadas diversas missões especiais pelos anarquistas espanhois, algumas bem espi-nhosas, que o levaram a regressar clandestinamente a Portugal e a ir, depois, ao Norte da África e a França. Neste período fez parte da "Emissora Fantasma", onde desempenhou papel da mais alta responsabilidade revolucionária. Com a vitória do fascismo entrou em França e não tardou a ser internado num Campo de Concentração de onde saiu para ser preso em Portugal pela P.I.D.E. e remetido ao Tarrafal, Campo de Concentração fundado por Carmona e Salazar em Cabo Verde. Ali sofreu heroicamente ao lado de outros anarquistas a ferocidade dos comandantes das "Brigadas Bravas", do Dr. Pais Pratas e de uma chusma de militares que fizeram carreira e ganharam promoções à força de torturar e cas¬tigar idealistas, honrados pais de familia, como José Rodrigues Reboredo. Do anarquista, da figura humana, poder-se-iam encher páginiis e páginas, tal era a grandeza e o exemplo vivo de bondade de José Rodrigues Reboredo, mas vamos colher trechos de uma das suas cartas dirigidas ao seu companheiro de exílio em Espanha e depois do Tarrafal, José Correia Pires. "Passadas, porém, as chamadas festas da cidade, para mim um pouco maça¬doras pelo trabalho extraordinário a fazer na oficina, cá estou a escrever-te para dizer que ainda vivo e me mantenho fiel àquela velha amizade que nos prende desde há bastantes anos. O pobre Guimarães, há 9 ou 10 meses que não trabalha e ultimamente a sua situação agravou-se com a doença da sua companheira, dos pulmões. Cá o vamos auxiliando conforme podemos, embora esse auxílio esteja longe de ser o que desejamos e ele precisa. Mas, infelizmente, não é ele o único a ser auxiliado e, por isso, o auxílio tem de ser dividido. Por aqui anda tudo alvoraçado com os acontecimentos eleiçoeiros. Certa¬mente que por aí acontecerá o mesmo. O próximo domingo será, certamente, mais um mar de desilusões para os entusiastas da mudança da actual situação política, pois não é de esperar que os simples boletins de voto sejam capazes de alterar a pósição política do país". (Porto, 18-7-1951). Menos de um ano depois falecia essa extraordinária figura humana que tivemos oportunidade de conhecer pessoalmente. Fomos portador de uma carta sua para Edgard Leuenroth, militante anar¬quista de São Paulo, Brasil.
Fontes: E. Rodrigues (1982). A oposição Libertária em Portugal. 1939-1974. Lisboa. Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues (1982)






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