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Rebelo, Jaime (1900-1975) | Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA

Nome: Rebelo, Jaime (1900-1975)
Nome Completo: Jaime Rebelo


Nota Biográfica:

Pescador, anarquista, nasceu em Setúbal no dia 22 de Dezembro de 1900 e morreu a 7 de Janeiro de 1975, decorrido quase um ano que assistira ao derrube do fascismo, que tanto o oprimira. Principiou como homem do mar, abraçou o sindicalismo da C.G.T. tornando-se em breve um dos seus mais valentes defensores em Setúbal, um marco de coerência ideológica. Entre a pureza das ondas e a espuma, o cheiro do peixe e o roncar dos motores das traineiras, cultivou o anarquismo, e em terra firme falava dele. Participou activamente da "Casa dos Pescadores" (um monumento de idealismo e de bravura) e depois do 28 de Maio de 1926 viu a P.I.D.E. invadi-la, destruir os seus pertences, roubar o seu recheio e prender alguns dos seus membros. Assim mesmo conseguiu colher do livro de presença todos os dados importantes ali escritos e fez-nos presente deles. Na sede de A Batalha, lá está um quadro de algumas das traineiras que faziam parte de sua vida. Foi Jaime Rebelo quem o salvou das garras dos invasores! Preso, resistiu às torturas e para que não lhe exigissem nada sobre os seus companheiros, acabou cortando a língua com os dentes diante do olhar dos agentes da P.I.D.E. que se dispunham a torturá-lo até que falasse. Durante a revolução espanhola, lutou no país vizinho, para impedir que as forças fascistas vencessem os revolucionários. Mas Franco venceu, instituiu a ditadura e Jaime Rebelo escapou-se para a França, onde conheceu os campos de concentração, com a sua companheira. E mais uma vez se comportava humanamente como um verdadeiro anarquista! No decurso da sua luta ideológica nunca descuidou o estudo e foi graças à cultura que adquiriu que acabou os seus dias a trabalhar como revisor profissional no jornal República, ao lado de Francisco Quintal. Sobre a coragem e a bravura do anarquista Jaime Rebelo o escritor Jaime Cortesão disse. em verso: Quem é esse homem sombrio, Duro rosto, duro olhar, que cerra os dentes e a boca Como quem não quer falar? Esse é o Jaime Rebelo Pescador, homem do mar, se quisesse abrir a boca, Tinha muito que contar. Ora ouvireis, camaradas, Uma história de pasmar. Passava já de ano e dia E outro vinha de passar, E o Rebelo não cansava de dar Guerra ao Salazar. De dia tinha o mar alto, De noite luta bravia, Pois só ama a Liberdade Quem dá guerra à tirania. Passava já de um ano e dia... Mas um dia por traição, Caiu nas mãos dos esbirros e foi levado à prisão.Geme o preso atado ao potro, Já tinha o corpo a sangrar, Já tinha os membros torcidos E os tormentos a apertar, Então o Jaime Rebelo Louco de dor, a arquejar, Juntou as últimas forças Para não ter que falar.Antes que fale emudeça! — Pôs-se a gritar com voz rouca, E, cerce, duma dentada, Cortou a língua na boca. Fantasmas da sua dor, Ainda hoje custa a vê-lo; A angústia daquelas horas Não deixa o Jaime Rebelo Pescador que se fez homem ao vento livre do mar. Traz sempre aquela visão na sombra dura do olhar, Sempre de boca apertada, Como quem não quer falar.

A turva vil dos esbirros Ficou na frente, assombrada, Já da boca não saía Mais que espuma ensanguentada! (Parte do poema Romance do homem de boca cerrada de Jaime Cortesão).

Fontes: E. Rodrigues (1982). A oposição Libertária em Portugal. 1939-1974. Lisboa. Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues (1982)




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