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Santos, Miquelino dos | Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA

Nome: Santos, Miquelino dos
Nome Completo: Miquelino dos Santos


Nota Biográfica: Metalúrgico do Barreiro. Tocava num grupo musical, ao lado do corticeiro A . Pimenta, que o atraíu para o nosso movimento. Colaborou na Aliança Libertária, fez parte do grupo editor do jornal libertário Terra e Liberdade e, pela sua actividade, foi preso com Correia de Sousa, Luís Laranjeira e Francisco Quintal. Depois de sair da prisão veio fixar residência em Lisboa. Muito intrometido, relacionou-se imediatamente com todos os elementos libertários ou simpatizantes dessa ideologia. Nessa ocasião estavam já presos muitos militantes confederais, e o Rijo era ,curado activamente pela polícia. Miquelino encontrou-se então comigo e i<,entou-me um alvitre de reconstituição do Comité Confederal. Permaneceria eu no meu cargo e entrariam ele e Emídio Santana, recente-ente chegado da deportação em Angra do Heroísmo. Quanto ao Rijo, retirar-se-ia para lugar seguro e, enquanto a polícia julgasse que era ele quem estava só a trabalhar, actuaria tranquilamente o novo Comité. Achei o plano acertado e dei-lhe o meu acordo. No entretanto o Rijo foi apanhado pela polícia e o que se pensara a seu res-peito não teve execução. Também não se conseguiu que a correspondência para a C.G.T. fosse rece-bida no Barreiro. Contudo, reconstituiu-se o Comité Confederal, conforme o M iquelino propusera. Na ocasião fiquei bem impressionado com ele, porque realmente apre¬sentara um alvitre sensato, mas acabei por verificar que, infelizmente, não passava dum irresponsável, incapaz de se encarregar de qualquer serviço nem de pôr uma carta no correio, porque, se não se lhe voltava a falar no assunto, ficava ,,ternamente esquecida na algibeira ou esquecida nalgum recanto, em casa. Por causa d'A Batalha houve discussões sem fim entre ele e o Santana. Nada no jornal o satisfazia, tanto em artigos como em paginação. Aborrecido com tanta crítica o Santana, uma noite, resolveu trazer da tipo afia todas as provas, para que ele corrigisse a ortografia e a redacção e fizesse (1 paginação dos artigos. Não lhe quis tocar e deixou cair no chão essa papelada. Isto passou-se no Caminho do Forno do Tijolo, à esquina da Rua Andrade e, depois da entrega, o Emídio pôs-se a caminho de casa, e eu fiz o mesmo. Ao chegar à esquina da Rua Heliodoro Salgado, por curiosidade, olhei para trás e in vi o Miquelino espécado com os papéis no chão. Decidi retroceder para os apanhar, e depois pedi encarecidamente ao San¬a que os levasse novamente. Mas, quando me encontrei só com o Miquelino, t2ni-o que não estava disposto a continuar a trabalhar com os dois em tais lições. Muito intrometido, frequentava o escritório do Dr. Domingos Monteiro, ;)1,)curava muito o jornalista Roberto das Neves, e por intermédio destes falaria com outros intelectuais. Ouvia críticas feitas ao jornal, motivadas muitas vezes por incompreensão, ou pela mania da superioridade, e vinha transmiti-las. Mas como se sentia incapaz de fazer melhor, limitava-se a reproduzir as palavras dos outros, fugindo às responsabilidades, quando lhe impunham que realizasse qualquer obra. Nessa época, resolveu ele estabelecer-se com uma oficina metalúrgica e entendeu que os camaradas é que deviam contribuir com o capital. Arranjou um sócio, um camarada do Barreiro, Barnabé Júlio Fernandes, que estivera deportado em Angra do Heroísmo, após o movimento de Janeiro de 1934, e que na ocasião dispunha de algum dinheiro. Disse-me este, numa ocasião, que o Miquelino procedia de tal maneira na oficina que A Batalha certamente ainda teria de se ocupar dele nas suas colunas. Mas não se limitou a pedir dinheiro aos camaradas, para se armar em patrão, também procurou parentes destes para o mesmo fim. Foi deste modo que conseguiu apanhar uns objectos de ouro a um irmão do ídio Santana, que só com grande dificuldade voltou a reavê-los. O Emídio, indignado, com razão, com tal procedimento, deixou de lhe falar, e por isso ele nunca mais apareceu nas nossas reuniões. Todavia, o Quintal ainda chegou a comparecer numa delas, para informar que havia pessoas, como o Jaime Brasil, que eram de opinião que convinha que o Miquelino continuasse a fazer parte do Comité Confederal. O Emídio manteve-se silencioso perante estas palavras e nós fizemos o me,>mo, por que neste caso era ele o único que se devia manifestar. Em face disto Miquelino afastou-se para sempre do Comité, e já havia alguns anos quando faleceu. (Apontamentos de Adriano Botelho).
Fontes: E. Rodrigues (1982). A oposição Libertária em Portugal. 1939-1974. Lisboa. Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues (1982)




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