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Borges, António Vitorino França (1871-1915) | Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA

Nome: Borges, António Vitorino França (1871-1915)


Nota Biográfica:

Nasceu em Sobral de Monte Agraço, a 10 de Janeiro de 1871. Filho de António Ribeiro Borges e Cândida Borges França.

Realizou os seus estudos no Colégio Luso-Brasileiro, que mais tarde prosseguiu na Escola Nacional. Começou por trabalhar como funcionário público, na repartição de Fazenda Pública, em Sobral de Monte Agraço. Porém, quando iniciou a sua intervenção política foi colocado em Sintra, como castigo. Perseguido pelas autoridades políticas naquele concelho, acaba por ser preso em Lisboa. Transferido para Vila Real de Santo António, acaba por retornar a Lisboa, por requisição, como escrivão de Fazenda no 2º bairro da capital.

Desde bastante jovem começou a colaborar na imprensa. Brito Aranha, no Dicionário Bibliográfico Português, vol. XXII, aponta-lhe as seguintes colaborações:

- Neófito, [Torres Vedras, 1892. Publicaram-se 5 nº](???) - Novo Escolar, [Lisboa, 1887. Publicaram-se 3 nº] - Defesa de Sobral de Monte Agraço, Sobral de Monte Agraço, [1894] - O Universal, Lisboa, [3-02-1891 a 28-01-1899] - Jornal de Notícias, Lisboa, [5-07-1887 a 8-08-1888] - Vanguarda, Lisboa, [9-03-1891 a 31-07-1929] - País, Lisboa,[1-11-1895 a 19-07-1898] - Lanterna, Lisboa,[24-07-1898 a 28-02-1899] - O Combate, Lisboa, [1-1-1899 a 18-03-1900]. - Pátria, Lisboa, [1-03-1899 a 4-09-1900]. - O Mundo, Lisboa, [16-09-1900 a 9-12-1935]. - A Liberdade, Lisboa, [31-01-1901 a 25-05-1901.]

António França Borges afirma-se como jornalista de combate, em particular, quando começa a colaborar com Alves Correia, na Vanguarda. A partir daí a sua visibilidade aumenta e torna-se um dos jornalistas republicanos mais populares. Envolve-se em inúmeras polémicas e chega a ser preso por abuso de liberdade de imprensa, sendo acusado de acordo com a famosa lei de 13 de Fevereiro. No entanto, a justiça não o condena.

Assume em 1900, a direcção de O Mundo, que se vai tornar no mais importante órgão da imprensa republicana. Foi preso em 1908, tendo sido envolvido na intentona de 28 de Janeiro que acabou por não ter lugar. Exilou-se de seguida, em Espanha, onde continuou a colaborar no jornal republicano que dirigia, aguardando a implantação da República.

O jornal Gabinete dos Reporters. Jornal independente, ilustrado e literário, Dezembro de 1898, Lisboa. N.° 82, 4.º anno foi dedicado ao jornalista França Borges, que fora preso pelo crime de abuso de liberdade de imprensa. Colab.: de Alves Correia, Mayer Garção, Carlos Callixto e Agostinho Fortes.

Pertenceu à Maçonaria, iniciado na Loja Montanha em 1901, com o nome simbólico de Fraternidade, pertenceu ainda à Loja Justiça e presidiu à Loja O Futuro (1905), tendo alcançado o 7º grau do Rito Francês em 1914. Foi presidente da Associação do Registo Civil, membro do Directório do Partido Republicano, deputado em 1912.

Deixou publicados ainda os seguintes trabalhos:

- O Combate, panfleto(colab. com Heliodoro Salgado). - A imprensa em Portugal. Notas de um jornalista, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Typographica, 1900. - A razão de um padre. O bom senso do cura Meslier, Trad. de M., com uma notícia de França Borges, s.d.

Morreu em Davos-Platz (Suiça), a 5 de Novembro de 1915.

O professor Oliveira Marques, publicou na Correspondência Política de Afonso Costa (1896-1910), Editorial Estampa, 1982, onde se encontram várias cartas de França Borges.

Afirmou Sebastião de Magalhães Lima, na obra Episódios da Minha Vida, Livraria Universal, Lisboa, 1928, p. 216 e 218:

Foi duro e longo o combate, aspérrimo o caminho, eriçado de espinhos e abrolhos. E nessas horas amargas e cruéis, nunca a fé amorteceu no peito de França Borges, nunca vacilou a sua crença profunda nos destinos da pátria e da República.

Se França Borges vivesse, considera-lo-iam um idealista incorrigível, como todos me consideram. A coerência tornou-se uma aberração. Não compreendem os homens do nosso tempo que se possa servir uma ideia com dedicação e desinteresse. E essa qualidade, hoje rara, raríssima, inconcebível, para os judeus na finança, foi a suprema virtude de França Borges.

A.A.B.M.

Nota do Autor: Almanaque Republicano






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