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Satanás [Folha libertária publicada por jovens de Almada, entre 1976 e 1979] | Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA

Satanás: folha de rosto do nº 1
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Satanás: outros números
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Satanás: outros números (2)
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Satanás: capa do nº 11
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Título:
Satanás [Folha libertária publicada por jovens de Almada, entre 1976 e 1979]
Data:
1976-1979
Descrição:

Em Almada, em dezembro de 1976, foi publicado o primeiro número do Satanás por iniciativa de dois jovens estudantes nos seus 15 e 16 anos de idade. Queriam expressar o seu “grito de indignação a toda a espécie de mitos, aldrabices e indignidades da política” e por isso encontraram Satanás como o título ajustado, como se lia no editorial desse boletim policopiado a stencil. Abordavam-se ainda temas como conversas de café sobre filosofia e barreira de gerações. Num pequeno artigo “Mito” na página 3 apelava-se a que “não mates o deus dos outros! Mata o teu.”.

O n.° 2 saiu em fevereiro de 1977 e tinha no seu editorial “a nossa interpretação do socialismo”, no qual esses jovens que confessavam a sua “pouca maturidade, a pouca experiência” pretendiam clarificar o que para eles era o socialismo sem amálgamas de regimes de socialismo de estado, pois a opção passaria por uma revolução destruidora das velhas instituições capitalistas e burguesas, levando a “uma nova sociedade federalista pelo livre acordo sem autoridade coerciva […]”. Na pág. 6 um artigo sobre Anarquismo onde se explicitavam as propostas. Dois textos de “ficção científica” e um texto sobre a Mulher onde se falava de maternidade consciente e possibilidade de aborto. O poema “Metafísicos” de António Cabrita fechava o número.

Com regularidade, sai o n.° 3 em abril do mesmo ano. Na capa um artigo sobre heresias económicas – em tempos de 15% de desvalorização do escudo e da criação do cabaz de compras – e onde se abordam alguns conceitos económicos das crises do capitalismo. Um outro artigo discute temas como poluição e ecologia. Dois artigos retomando temas da ficção científica e um poema, “Semáforos”, fecham as nove páginas do jornalinho.

O número de junho, trazia o tema dos exames e do propedêutico – de interesse óbvio destes alunos do ensino secundário de Almada que davam edição regular ao Satanás. Na pág. 3 o artigo “Pesadelo nuclear” argumentava em oposição aos projetos para Ferrel. Noutras páginas, um conto de Alice “Um homem”, e mais dois artigos de ficção científica de A.C. (que não era A. Cabrita). Finalmente uma irónica redação sobre “O dia mundial da criança”. E na contracapa um poema, “Eros escravo”, de Francisco Quintal (diretor da Voz Anarquista, local onde por vezes o grupo editor se reunia). O preço a 2$50 começa a não ser suficiente, em tempos de inflação galopante, para custear a edição e no número seguinte, da rentrée escolar, o preço aumenta para o dobro. Momento também em que a redação, ampliada com novos membros, se interroga “[…] sobre a existência deste monte de folhas que vocês compram…”. Tem uma capa mais cuidada, com dois cartunes, continuando a utilizar um papel colorido o que fazia desde o n.° 4. Os artigos: “Sexo, sociedade e música” trata da recuperação da crítica para efeitos de consumo; “Capitalismo/alienação” uma análise das drogas, contrariando a repressão da cannabis; e artigos sobre o amor-livre. Um número que deu bastante que falar e que atraiu mais alguns elementos para a redação.

O Satanás começava a sair do seu polo simples de difusão entre colegas de liceu e a ser enviado para alguns outros grupos libertários do país, com intenção de permuta de imprensa, e pretendendo entrar no movimento. Com impressionante regularidade, sai em fevereiro de 1978 o n.° 6, com 16 páginas, dando conta, em tom jornalístico, da participação do Satanás no I Festival Pela Vida Contra o Nuclear, nas Caldas da Rainha. Alguns artigos de cariz literário e sobre a religião, juntamente com secções novas como recortes de imprensa e uma primeira carta de um leitor (de José Francisco) e ainda de uma pequena tira de banda desenhada de André Bandeira.

Em abril novo número. Nessa sétima edição abordam-se temas como o terrorismo, as rádios-livres, a crítica da escola como como reprodutora do sistema e alguma discussão sobre a ideia de deus. Publicam-se várias cartas de leitores, que continuam a chegar. Na contracapa uma nova tira de bd, a propósito da fome na Etiópia, e um pequeno “Guia para a protecção individual em caso de ataque por gazes lacrimogéneos”. O esforço financeiro do maior número de páginas – agora 20 – levou a novo aumento de preço (agora a 6$50), na edição de maio de 1978, n.° 8, apenas um mês depois. Pretendia-se constituir uma comuna com “[…] toda a malta interessada” em “Accionar a Utopia”, o tema de capa desse número, com várias ilustrações de Alcides. “Aprendamos a fazer amor”, assim como um artigo dos anos vinte sobre o naturismo. Publicando as cartas dos leitores o Satanás mostra abertura aos textos que recebe, não deixando de finalizar com o comentário do grupo editor, que passa nesse número a reunir regularmente no Centro de Cultura Libertária de Cacilhas. Dá-se ainda conta da organização da Semana de Presença Libertária, de 2 a 8 de julho, no Montijo, onde o grupo se deslocou mantendo uma banca na qual vendeu os poucos exemplares de sobras que tinha.

A publicação, não dando lucro, conseguia pagar-se com as vendas. Um número de férias (9), duplo, com 35 páginas, marca o derradeiro em policópia a stencil. Temas como o movimento punk, drogas ligeiras versus pesadas, as trocas epistolares dos leitores e os comentários dos editores, a pílula contracetiva e o planeamento familiar a par dos frequentes artigos de ficção assinados A.C. É também anunciado um primeiro encontro formal de leitores, a 16 de dezembro de 1978.

Dois últimos números serão publicados, com maior tiragem que a passagem a offset obrigava. Esta técnica de impressão, graças à máquina impressora da Cooperativa Sementeira, facilitou uma mudança gráfica, mais agradável e de melhor qualidade, longe das impressões de stencil feitas na reprografia do Liceu de Almada (papel e tinta eram fornecidos pelo Satanás, registe-se por rigor contabilístico). O n.° 10 foi publicado em novembro, a tempo de poder ser difundido no encontro de leitores. Trazia ele poesias a par de artigos sobre como construir um emissor de rádio, sobre hippies, do porquê da Ecologia e ainda as cartas dos leitores (rubrica sob o título “Diz tu. Digo eu…”); ainda um alerta para a poluição de radiofrequências, uma análise da ideologia da droga, e a crítica do automóvel omnipresente…

O derradeiro número saiu em junho de 1979. Talvez graficamente o mais agradável e conseguido, pois a técnica de paginação começava a ser melhor dominada pelos poucos elementos que realmente se dispunham à tarefa de datilografia de cada número. Porém a dispersão com o final do liceu para a maioria também ajudou ao desagregar do grupo editor. Registe-se que o derradeiro Satanás abordou os temas seguintes: as lutas dos operários das siderurgias francesas, a objeção de consciência (com minuta de como a requerer), uma entrevista com o grupo UHF, as lutas dos estudantes de Coimbra, e, claro as cartas dos leitores.

Concluindo: em dois anos e meio de edição, de um pequeno jornal inicial de dois estudantes de Almada, chegaram a formar um grupo com uma dezena de participantes no seu máximo. Conseguiram com isso alguma projeção na cena libertária desses anos, exprimindo dúvidas e debates destes jovens, como parte do percurso variado de cada um de nós.

Descrição Física:
Onze boletins, 8 cicloestilados em papel A4 vulgar e dois impressos em offset
Código:
CEL_SAT
Repositório:
Arquivo Histórico-Social / Projecto MOSCA
Em:
Produtores:
Assuntos:
Editor:
MOSCA
Contributor:
C.R.
Direitos de Propriedade:
Documentação de acesso e repodução livres para fins não comerciais.
Língua Usada:
Ver Também:



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