Projecto MOSCA

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Sousa, Germinal de | Arquivo Histórico-Social

Nome: Sousa, Germinal de
Nome Completo: Germinal de Sousa


Nota Biográfica: Atendendo-se à colaboração que dera a seu pai, ainda assistiu às nossas primeiras reuniões, mas preveniu-nos que a polícia o procurava e que por esse motivo tencionava sair de Lisboa. Assim o fez, partindo para Castelo Branco, donde seguiu clandestinamente para Espanha, fixando-se então em Madrid. Essa resolução foi criticada, alegando-se que, embora tomando certas precauções, poderia permanecer em Portugal. Eu não o censurei, porque entendo que nestes casos é o próprio indivíduo que tem a decidir o que melhor lhe convém tanto mais que ele já tinha sofrido umas poucas de prisões, e numa delas até fora torturado inquisitorialmente. Puseram-lhe algemas eléctricas, penduraram-no e espicaçaram-no. Era ainda bastante jovem mas, apesar dos seus poucos anos, portou-se com dignidade, nada revelando do que a polícia queria saber. De Madrid manteve regularmente correspondênciã com o Comité Confederal, enviando-lhe muitos jornais e revistas libertárias espanholas. No verão de 1933 veio a Lisboa, por incumbência de outros camaradas portugueses, enti.,Os residentes em Madrid, Reboredo, Marques da Costa, etc., para tratar com a C.G.T.. Foi combinado um encontro com o Comité Confederal, a que não cheguei assistir, porque ele, por precaução, chegou mais tarde. Mas nada de prático resultou dessa sua vinda á Portugal. Com as perseguições, que se seguiram ao movimento de 18 de Janeiro dé 1934, essas relações suspenderam-se e jamais foram restabelecidas. Estava ele em Barcelona quando rebentou a revolução de 1936/39, . e, ali desempenhou alto cargo, integrado na corrente pseudo-libertária governamentalista. Após a derrota foi para França e, depois de passar pelos campos de concentração deste país e da Argélia, foi posto em liberdade. Regressou a Portugal por alturas de 1948 e ao mesmo tempo recebeu a C.G.T. uma carta de prevenção da A.I.T. a respeito da sua vinda. Contudo, nessa carta não se explicavam as razões dessa prevenção; por isso lhe pedimos que nos esclarecesse, mas, no entretanto, a polícia descobriu os endereços usados para a nossa correspondência internacional, e na impossibilidade de os substituírmos, nunca mais chegaram os esclarecimentos pedidos. (Depoimento de Adriano Botelho).
Fontes: E. Rodrigues (1982). A oposição Libertária em Portugal. 1939-1974. Lisboa. Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues (1982)