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António José Ávila (1853?-1923) | Arquivo Histórico-Social

Nome: António José Ávila (1853?-1923)


Nota Biográfica: "Nascido em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, c. 1853 (?) tranfere-se para o continente português com a ideia de estudar Belas-Artes. Impossibilitado de o fazer, foi pintor decorativo em Lisboa e em Elvas. Contagiado pela questão social abraça o anarquismo de uma forma toda especial e torna-se um dos mais eminentes idealistas. Quando em Elvas organizou um curso nocturno para adultos — entusiasmado pelo método de João de Deus — adopta como livro de leitura A Anarquia de H. Malatesta, acabando preso por isso e transferido para a cadeia do Limoeiro, em Lisboa. Em 1908, quando do regicídio, António José de Ávila foi preso juntamente com Augusto Machado e o espanhol Miguel Córdoba, no quartel da Guarda Municipal. Os republicanos e os anarquistas protestaram e como nada tinham com o atentado, foram postos em liberdade. Em 1914, participou na Conferência Anarquista de Lisboa e destacou-se entre os que trabalharam mais activamente na orientação dos trabalhos de colaboração com Emílio Costa. Pouco depois é ainda Ávila dos primeiros a discordar da atitude aliadófila de Kropotkine. E foi também por essa época, quando falava contra a carestia da vida numa sessão de protesto que a guarda republicana o prendeu e espancou brutalmente, sem contemplação, conduziu-o, por fim, preso, ao Forte da Serra de Monsanto. Tempos depois comentaria (informa Adriano Botelho): "No tempo da monarquia, fui preso e conduzido de trem para o Governo Civil, no tempo da república fui a pé e à coronhada". Ao explodir da revolução russa António, José de Ávila vibrou de alegria, foi um grande entusiasta, mas nunca se deixou contagiar pelo bolchevismo e sua ditadura sobre o proletariado. Escrevendo nos jornais A Greve, A Batalha e outros órgãos do proletariado, foi invariavelmente um defensor do anarquismo pela teoria e pelo exemplo. Quando do Congresso Anarquista de Atenquer, em 1923, ainda encontrou forças para marcar a sua presença e reafirmar as suas convicções ao sair dali para formar, com Adriano Botelho, José Carlos de Sousa, Augusto Carlos Rodrigues, António Alta-vila e Luna de Carvalho o grupo O Semeador, organismo anarquista altamente produtivo. Mas nesse mesmo ano falecia no hospital de São José, a 6 de Dezembro. Sobre o anarquista António José de Ávila, A Batalha de 6 e 9 de Dezembro de 1923, em 1.a página, declarava: "Ávila abraçou as ideias da emancipação social desde muito novo, pela nobreza do seu carácter, pelalucidez do seu espírito e pela correcção e firmeza que imprimiu a todos os seus gestos, a todas as suas acções, foi dos raros revolucionários que fez propaganda pelo exemplo. Não era um sectário, não olhava a vida através de rígidos princípios. Firme, como nenhum, nos seus ideais, ele entendia que a melhor maneira de interpretá-los seria procedendo com bondade, com tolerância sem transigir. As suas ideias anarquistas e o seu carácter confundiam-se: Por isso António José de Ávila foi um lutador enérgico pela justiça e pela Liberdade". "Foi uma das mais nobres figuras do anarquismo. A sua vida está ligada à história do movimento anarquista desde os seus inícios neste país, constitui o melhor exemplo de perseverança, coragem e abnegação. O companheiro de Antero de Quental, o homem que viveu em Paris e em Espanha, nos meios revolucionários e lidou com as grandes figuras intelectuais e morais do anarquismo como Kropotkine, E. Reclus, Malatesta, J. Grave, Anselmo Lorenzo e outros, foi sempre de uma lucidez e de uma convicção extraordinárias". Sepultado no cemitério do Alto de São João, estiveram presentes a União Anarquista, as Juventudes Sindicalistas, S.U. da Construção Civil, Federação Comunal de Lisboa e o seu cortejo interrompeu o trânsito tal era a enorme massa humana de trabalhadores que se foi despedir do amigo e companheiro, saudado por Vagueiro, um dos anarquistas do seu tempo.
Fontes: E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues