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Lucena, Serafim Cardoso (1869-1962) | Arquivo Histórico-Social

Nome: Lucena, Serafim Cardoso (1869-1962)
Nome Completo: Serafim Cardoso Lucena


Nota Biográfica: Nasceu em Junho de 1869, em Folgosa do Douro e faleceu em 1962, (?) no Porto, com a idade de 93 (?) anos, Segundo caderno em nosso poder, com recortes de jornais que coleccionou, morava na Rua da Cunha Espinheira, 131, às Antas, Porto. Quando do seu sepultamento O Primeiro de Janeiro publicou: "Faleceu ontem, o antigo propagandista da organização operária Serafim Cardoso Lucena. No Porto, para onde veio muito novo, foi operário sapateiro e interveio desde 1886 no movimento social, colaborando em jornais operários e anarquistas e fundando outros. Pode dizer-se que interferiu em toda a actividade das classes trabalhadoras do Porto, do final do século passado e começos do actual. Realizou numerosas conferências e tomou parte em muitos comícios, defendendo sempre os mais generosos ideais. Pugnou pelo combate ao analfabetismo e pela união das classes trabalhadoras. Pacifista, tomou parte no Congresso Internacional da Paz, no Ferrol (Espanha) em 1915. Juntamente com outros elementos activos do operariado e alguns intelectuais que lhe davam o seu apoio, como o falecido Cristiano de Carvalho, tomou parte Serafim Lucena em movimentos de protesto contra o Ultimatum de 1890 e contra a lei de 13 de Fevereiro de 1896, o que lhe valeu ser processado, sendo defendido no julgamento pelo advogado Bernardo Lucas, que obteve a sua absolvição. Redigiu vários manifestos e opúsculos de propaganda e alguns dos seus mais importantes escritos foram publicados no semanário A Aurora desta cidade, de que foi redactor principal. Mais tarde, estabelecido como industrial de sapataria, Serafim Lucena manteve-se sempre fiel aos seus princípios. Consagrou o último período da sua vida a coligir uma importante colecção de jornais operários, números únicos, etc.. Grande idealista até ao fim da vida, manteve as ideias que propagou na sua juventude". O responsável pelas linhas anteriores acha que todo o arquivo de Serafim Cardoso Lucena ficou para a sua neta, que seria professora. Mas onde está essa preciosidade operária e anarquista que não aparece? Sobre o processo no Tribunal do Porto, em que foram réus Cristiano de Carvalho, Serafim Cardoso Lucena e outros: "O que sucedeu foi averiguar-se o límpido carácter, a honradez e o altruísmo destes homens. (...) Deve sentir-se altamente decepcionada a acusação! Quando esperava encontrar aqui os inimigos da Ordem, os fugitivos do trabalho, os réprobos da família e da sociedade, depara com uns "malfeitores" que todos louvam e assiste à surpresa de um grupo numeroso de testemunhas no qual avultam patrões, capitalistas e proprietários!  a cobrirem esses homens das mais lisonjeiras referências, apontando-os como trabalhadores honestos, maridos e filhos exemplares, cidadãos prestantíssimos! Na memória de nós todos ainda está viva a expressão com que uma das testemunhas definia aquele dos meus clientes (Serafim Cardoso Lucena) que pela polícia é considerado o pior dos anarquistas portuenses! Igual pode haver; melhor com certeza não há!  dizia a testemunha; e isto, a respeito desse pobre rapaz que, tendo durante a menoridade visto o seu pai condenado por um erro judiciário, que mais tarde se reconheceu, foi durante anos o único sustento e esperança do infeliz preso e da Mãe angustiada! Que terrível inimigo da Família!" (Foram todos absolvidos). Ao eclodir da República, em 5 de Outubro de 1910, foi criado um comité para actuar nas organizações sindicais, composto por Serafim Cardoso Lucena, Maciel Barbosa, José Alves, António Alves Pereira, Teixeira Júnior e Manuel Joaquim de Sousa. Períodos de sequência de publicação dos jornais A Aurora, A Comuna e revista Aurora, com a colaboração de Serafim Cardoso Lucena: A Aurora - VI e VII anos - Nos. I a 54 - Série III - 10/10/915 - 29/10/916. A Aurora - IX e X anos - Nos. I a 25 - Série V - 23/3/919 - 18/4/920 - Redactor: , Lucena. A Comuna - 1 e II anos Nos. I a 90  1/5/920  5/6/922 Redactor: Lucena. A Comuna - III e IV  Nos. I a 52  Série II  18/3/923 - 9/3/924. A Comuna V ano Nos. 53 a III  Série II 16/3/924 - 26/4/925. A Comuna  VI ano Nos. 112 a 145  1/5/925 - 20/12/925. A Comuna VIII ano Nos. 1 a 41 Série III  1/3/926  2/1/927. Depois deste VII ano, último do jornal A Comuna, foi iniciada a publicação da revista Aurora, mensário de 16 páginas, da qual fui administrador, e que se publicou desde o N.° 1 a 14.
Fontes: E. Rodrigues (1982). A oposição Libertária em Portugal. 1939-1974. Lisboa. Sementeira.
Nota do Autor: E. Rodrigues (1982)